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Um grito de rock ecoa pela Lapa

Postado por Andre em 2 de março de 2010 – 11:312 mentiras

Noite de estréias. Foi o que aconteceu neste último final de semana na lona da Lapa. Pela primeira vez, nos dias 26 e 27 de fevereiro, o Grito Rock RJ realizou a 4ª edição do “Carnaval das guitarras” no Circo Voador. Assim como nos anos anteriores, o festival não deixou de lado a principal característica: apresentar novos artistas para um público sedento ao “roquenrou” em meio a tantos tamborins e reco-recos. Em 2010, porém, o Grito cresceu. E a lona do Circo recebeu, uma semana após o Carnaval carioca, um coletivo de guitarras, baquetas, riffs, coturnos e roupas pretas. Eram várias tribos, desde os alternativos aos metaleiros. E todos foram dar o grito de rock da independência.

A edição desse ano, que teve mais de 600 inscrições somente para o Rio, trouxe ao todo 14 bandas e artistas solo, com destaque mais que merecido para os paulistanos dos Velhas Virgens, que encerraram o Grito RJ na noite de sábado. Paulão, que usava uma cueca de seda com estampa de cartoons, era só energia. Criticou a Lei Seca, a Igreja Evangélica, tirou sarro de um casal de namorados, xingou os políticos, lambeu os pés de uma fã e distribuiu cerveja para o público. “Vou fundar a Igreja da Bebida Alcoólica até o Último Gole”, brinca o vocalista vestido de padre. E ainda alfineta: “Na minha bíblia, Jesus era amigo das putas, bebia vinho, era cabeludo e vagabundo”. A bagunça não parou por ai. “Bem aventurados são aqueles que bebem. Livrai-nos da água Senhor”, dispara ao microfone. Enquanto o público aclamava fervorosamente: “Aleluia”! Era a noite dos Velhas. E de toda uma legião de fãs que assistiu um show de mais de duas horas e meia.

Na noite de sexta, subiram ao palco os cariocas do Aumumana, o cantor Wander Telles, os niteroienses do Tereza, Sabonetes vindos diretamente de São Paulo e os excêntricos Móveis Coloniais de Acaju. Para Guilherme Sampaio, vocalista do Aumumana, tocar na lona foi mais que perfeito. “É nossa primeira vez no Grito Rock e também no Circo, parecia que o palco estava do tamanho certo”, conta o moço. Wander Telles ainda completa. “Agora podemos dizer que perdemos a virgindade do Circo Voador. É mais um lugar para acrescentar no release”. Para ambos, o lendário palco é uma realização para qualquer músico. “Estou muito feliz com esse momento, é uma honra tocar aqui esta noite”, contempla Wander. “Conseguimos entrar no festival na hora certa”, emenda Guilherme.

Além de bandas, outras atrações também entraram no festival das artes integradas. Exposições de fotos e HQs, feirinha de discos e roupas descoladas, Guitar Hero no telão, até mesmo um stand de tatuagem, para quem quisesse registrar a paixão pelo Grito na pele, estavam lá. Paulo Monte, um dos sócios da Bolacha Discos, montou uma banquinha nos dois dias de festival. “A Bolacha é um selo independente do Rio que existe desde 2006. Começamos com o disco da banda Binário e hoje já temos mais de 15 projetos em nosso catálogo”, explica o empresário. Movimentar o circuito é um dos lemas do selo e marcar presenças em festivais, como o Grito, vai além de uma estratégia da Bolacha. “Queremos estabelecer o hábito da galera que vem para o show, poder comprar nossos discos. É muito importante trazer a banquinha, é uma vitrine legal para todos nós”, conta Paulo enquanto atendia um curioso.

Noite de estréia também para os Sabonetes e os meninos do Tereza. A emoção era tanta, que logo após o show, uma grande festa aconteceu no camarim 2 do Circo Voador. O som de Ob-La-Di, Ob-La-Da, dos Beatles, entoado no piano por um dos terezas, foi cantado em coro pelas duas bandas e um grupo de jornalistas que ali registravam a alegria contagiante. “Estamos muito felizes aqui agora no camarim. Temos somente um ano de banda e tocar no Grito Rock de Cuiabá e também no Rio foi demais”, conversa Mateus Sanches enquanto se refrescava com uma cerveja. Méritos a parte, os garotos de vinte e pouco anos estão com tudo. Depois de vencerem o Festival Universitário MTV no ano passado, o grupo toca este mês na Festa Entorta Bixo, em Ribeirão Preto (SP), junto com Nando Reis e Nação Zumbi. “O festival da MTV abriu as portas e nem sei direito como rolou o convite para tocar com o Nando e a Nação”, conta o guitarrista do Tereza.

Os curitibanos dos Sabonetes também não ficam atrás. A banda, que há oito meses está radicada em São Paulo, lançou recentemente o primeiro disco homônimo. Uma parte do trabalho foi gravada no estúdio a Toca do Bandido, que para Arthur Roman, é uma disneylândia para muitos músicos. “Fomos gravar na Toca a convite do produtor Tomás Magno. Ele já trabalhou com Barão Vermelho e uma galera de peso. A gente se encaixou perfeitamente, nosso ideal era fazer um som pop, uma música brasileira trazendo referências novas”, lembra o vocalista. Aliás, referências são o que não falta. Arthur usa uma frase de efeito para definir o que faz: somos muito pop para o alternativo, e muito alternativo para o pop. Mas o moço de cabelos louros e pinta de roqueiro certinho prefere definir os Sabonetes como uma “banda que vai de Beatles, passando por Björk, descendo para Cartola, Paralamas do Sucesso, Cazuza e voltando para Milton Nascimento, com um pouco de MGMT e caindo no Franz Ferdinand. Ufa!!

Para fechar a noite de sexta, os brasilienses dos Móveis Coloniais de Acaju fizeram da lona do Circo um grande baile. “Parece clichê, mas o público do Rio, atualmente, é um dos mais agitados. Em termos de público, eu não sabia o que esperar do show de hoje. Fiquei muito surpreso. A gente fechou a noite, não foi?”, questiona Gabriel Coaracy, o baterista dos Móveis. Com certeza, a noite foi especial, assim como a primeira apresentação da banda no Festival MOLA em 2007. “O MOLA foi um evento fantástico, que abriu as portas do Rio para os Móveis”, conta o guitarrista. B.C aproveita para adiantar um pouco do DVD que logo será exibido no Canal Brasil. “Vai ser um registro fiel do que é um show dos Móveis. Com alta qualidade de som e imagem. Uma cópia muito boa do que a gente faz hoje, do público participando, da vibração do show”, revelou.

Fotos: Leo Neves

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